janeiro 16, 2005
Amar não acaba
O último livro de Frederico Lourenço, "Amar não acaba", foi uma parcial desilusão. Na forma como relata o período da sua adolescência, o autor parece revelar algum receio que um registo deste género implica: ficam muitas histórias por contar, levantam-se muitas pontas que depois o autor prefere, por motivos pessoais ou de salvaguarda de algumas pessoas, não desenvolver. A relação com a música e a presença materna são as histórias que acabam por ser relatadas de forma mais emotiva e consistente. Ainda assim a morte da mãe e da sua meia irmã limitam-se a ser referências cronológicas. Sugere-se uma teia muito complexa de relações e de efeitos de causa e consequência entre muitas pessoas que não são explorados. O registo biográfico acaba por ser um travão aos limites formais do texto, o que é pena.
O início do livro parecia apontar um caminho, abordando superficialmente as relações entre homossexualidade e Igreja Católica que depois não tem qualquer sequência nos restantes capítulos.
A escrita de Frederico Lourenço é apaixonada, cultíssima e cheia de charme (como o próprio :)) mas a estrutura biográfica escolhida acabou, na minha opinião, por se revelar uma pequena armadilha.