maio 13, 2004
Eurovisão
Vou também eu pegar no assunto da Eurovisão que domina o blog dos nossos vizinhos aqui do lado.
Sem qualquer tipo de falsos saudosismos, guardo do Festival Eurovisão boas recordações de infância. O ritual em torno do televisor,alargava-se a toda a família e amigos, das apostas, do espectáculo e já agora, porque estas coisas despertaram cedo em mim, dos cantores :).
Portugal teimou e teima em nunca ter aprendido a lição. Músicas pop ligeirinhas ligeirinhas, ensonsas e deslavadas que nunca conquistaram o júri europeu. Só com Dulce Pontes ou Lúcia Moniz a dar um cheiro da alma lusitana", ou com a magia da interpretação da Sara Tavares, Portugal chegou aos lugares cimeiros, ainda assim claras excepções. Durante todo esse tempo (anos 80 e 90) Portugal não soube tirar partido da votação, decidida por um júri e em que a qualidade de canções bem construídas, estruturadas e interpretadas era premiada.
Veio o televoto, a abertura ao inglês, a formatação de gostos, o techno-lixo, as boys/girls band de uma pop muito duvidosa.
Nos últimos anos o Festival deixou de fazer parte da agenda televisiva obrigatória. Ontem, assisti. E o espectáculo ao nível das canções, o propósito maior do programa, é inacreditavelmente medíocre.
Felizmente, para os que nos colocam sempre no caixote de lixo europeu, é paradigmático assistir ao tipo de músicas que países da primeira linha de desenvolvimento e civilização, apresentam. Paradigmático e confrangedor; batuques e refrões carregadíssimos de clichés, coreografias banais a disfarçar a pobreza da musicalidade. O Festival nunca primou por ser a montra do melhor que se faz na Europa, mas, com a bitola do tele-voto, a construção das canções, para agradar a um suposto gosto global, atingiu níveis nunca vistos.
Neste contexto, Portugal apresentou uma canção, enfim, como dizê-lo de outra forma, ridícula. Não há magia, coreografia, interpretação, segurança e sorriso que disfarcem a pobreza da música. Da letra nem falo, mal por mal, ninguém lá fora entende mesmo, mas serei só eu a achar que o na-na-naquele dia é entalado a martelo na música. E o número de vocábulos estaria limitado?
Felizmente que o número de projectos pop nacionais interessantes é inversamente proporcional à qualidade das canções festivaleiras, doutra forma os nossos ouvidos estariam bem tramados.
Tudo o que dizes é verdade.. mas é mais forte que eu, não consigo deixar de gostar.. ;)
Afixado por: Boss em maio 14, 2004 03:23 PMA descrição do "serão" em família para ver o Eurofestival é perfeita! Mas julguei que apenas fazia parte da minha geração...
Hoje, ao almoço à beira Tejo, foi o tema da "nossa" conversa...Hugs
"Almoço à beira Tejo"??? Mas com quem? Parto-lhe a cara toda!!!
Afixado por: Jonsi em maio 15, 2004 01:29 AM