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abril 06, 2004

Gay Vibe

Sou daqueles que acredita que cada um de nós tem um “gaydar”, uns mais apurados do que outros, mas no geral está lá. Um olhar, um gesto, são coisas que captamos e interpretamos e que quase sempre passam ao lado dos “outros”. É claro que ninguém está imune de cair no erro, eu próprio já estive nessa situação (fica para contar num futuro post), mas geralmente não costumamos errar muito. A questão é, que percepção é que tem os “outros” da nossa existência? Eu sempre fui um “straight acting gay man”, é assim que gosto de ser, não gosto de bicharocas, o meu negócio são homens a sério, daí ter um comportamento que leva quase sempre os “outros” a pensar que sou heterossexual. E digo quase sempre porque todos os meus amigos a quem revelei a minha homossexualidade me disseram que nem sequer alguma vez tinham posto essa hipótese.
Mas ontem aconteceu-me uma situação curiosa, troquei impressões com uma rapariga que está a acabar o curso de psicologia, uma rapariga muito inteligente, tão inteligente que não consegue debitar tudo aquilo em que pensa, tornando o seu discurso uma explosão de palavras difícil de apanhar. A conversa era “sex-driven”, mas em momento algum lhe dei a entender que era gay, confinei-me a comentar as suas observações, a meu ver, o comum mortal não perceberia.
Hoje enquanto falava com uma amiga que estava presente na mesma conversa fiquei a saber que ela, a “mind reader”, conseguiu perceber nas poucas palavras que eu disse que eu era gay, a aproximação foi algo do género:

Mind reader: O teu amigo parece feliz, ele tem alguém não tem?
Amiga: Tem...
Mind reader: E esse alguém não é do sexo feminino, pois não?
Amiga: ... (olhos esbugalhados, expressão usada por ela)
Mind reader: Não precisas de dizer! Que giro, adorava ter um amigo gay.

A hipótese dela ela própria ter um gaydar está posta completamente de parte, é do mais heterossexual que há. O que me intriga é, será que existem outros sinais para além daqueles que nós conhecemos? Aparentemente sim, fui descoberto numa analise a meia dúzia de frases! (Não, não soltei nenhum “ai filha”...)
Para acabar (isto já está muito longo), era tão bom que fosse assim tão fácil para todos perceber a orientação sexual de cada um, evitar-nos ia muitos embaraços, pelo menos as tias deixavam de perguntar pelas namoradas. Coisa irritante! Gostava de ter coragem para usar uma tshirt em encontros de família: “Sorry girls, I suck cock, and I LOVE it!”



Jonsi

Comentários

Em primeiro lugar gostaria de referir a forma simples e bonita como o texto está escrito... :)

Quanto a "Radar" ou "Gaydar" eu acho que não é uma capacidade apenas das pessoas gay.

Ligando este post ao do "Gay Worthy" acho que os pais têm também um "Gaydar"... Apenas lhes custa a "ver" o óbvio...

Hugs

Afixado por: ActionBear em abril 6, 2004 10:49 PM

Eu cá, acho que um gay nunca é completamente straight acting. É só uma opinião, mas é fácil comprovar que quando nos juntamos com amigos gays, ficamos mais soltos e poderá sair uma gargalhada ou um gesto, mesmo que seja na brincadeira e sem intenção. Falo por mim, claro. O pessoal da minha faculadade também não me faz comentários, o que me leva a crer que terei o meu "quê" de str8 acting :)

Afixado por: stormchaser em abril 6, 2004 11:06 PM

olás..
Achei este texto muito giro e a cair num buraquinho do meu baú de curiosidades... Apesar de sentir um gaydar muito activo em mim em relação a outras mulheres, no que diz respeito aos homens, acho que a mioria de vós me deve passar despercebida..
Supõe-se que isto aconteça por ser mulher. Mas a minha análise do gaydar interno fica incompleta - porque é como questionas - haverá, sem dúvida, outros sinais para além dos que chocam com os olhos. Tenho pensado que tem a ver com o olhar que é devolvido, que parece que traz (ou não) uma mensagem elaborada numa língua mental.. Mas isto, na minha perspectiva, é mais difícil de acontecer entre um homem gay e uma mulher gay.. não sei, são especulações... Mas o post é interessante! Podias fazer uma 'observação' da tua 'mind reader'...

Afixado por: eu em abril 7, 2004 10:03 AM

Até que enfim que não sou o único a dizer que é muito difícil não nos apercebermos que alguém é, também, "sindicalizado", a não ser que intencionalmente desliguemos o famoso gaydar. Acontece-me muitas vezes aperceber-me, mesmo (ou talvez em especial) em relação a pessoas que não conheço e com quem me cruzo. Já várias vezes que me perguntei se o mesmo se passará em relação a mim. Será que sou assim tão transparente? Sinceramente, cheguei a um ponto da vida em que não me preocupo com ser identificado. Não tenho que o anunciar, nem andar com letreiros de néon, mas se for identificado, não me preocupo. Depois, há uma máxima americana que aqui se aplica com toda a propriedade: "It takes one to know one". De facto, as pessoas e amigos hetero com quem me relaciono não se apercebem (nem de mim, nem dos outros com quem nos cruzamos). Claro que, entre amigos, e mais descontraído, qualquer um se pode descair ...

Afixado por: Miguel67 em abril 10, 2004 01:41 AM

Pois então arranja coragem...seria bom. A visibilidade não é invisível... De resto, concordo em absoluto. E já agora, parabéns pelo "blog". Sou neófito, mas serei um leitor atento e participativo q.b.
José (jfado)

Afixado por: jose em abril 10, 2004 04:19 PM

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